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Parir-se

  • Foto do escritor: Fernanda
    Fernanda
  • 20 de mai. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de ago. de 2023

Em que fase da vida você está?



Que sacada! Eu estava chorando totalmente sem entender o motivo daquele choro, a menstruação estava naquele vai mas não vai, vias aéreas totalmente congestionadas, uma irritabilidade por não dormir bem, muito enjoo e falta de vontade de comer… Quando uma pessoa me disse:


“Fernanda, você está em pleno trabalho de parto! Sabe aquele momento em que você está no meio do canal vaginal sendo empurrada para fora do útero ou puxada pelo médico da barriga da mãe? Quando tudo é muito diferente e de repente você precisa aprender a respirar, sente frio, tem muita luz envolta, fica incomodada com aquele ambiente que vc não conhece… Só que agora você é o bebê e a mãe ao mesmo tempo! Você está se parindo!”


Uau! Nunca tinha observado por esse ponto, nunca pensei em quão difícil e desconfortável é nascer! E fazia absolutamente tooooodo o sentido essa comparação.


Então eu perguntei “Ok! Mas o que se faz num momento como esse?” e a resposta foi a melhor: CHORA!! (assim mesmo, em letras maiúsculas). E é isso que os bebês (e as mães) fazem. O recém chegado chora porque está desconfortável, porque está assustado e por diversos motivos orgânicos… as mães choram por emoção, por desconforto e por desespero (cuidar de um novo ser não deve ser nada simples).


E quando estamos falando de ser o bebê e a mãe ao mesmo tempo? Aí é um chororô generalizado.


De fato, saí leve dessa conversa mais fluida e leve, menstruando de vez e o nariz não entupiu mais naquela semana… sorri, chorei e me acolhi… um pouco de paciência comigo mesma e com o tempo de amadurecer também fazem parte desse momento. A gente não espera que um bebê saia por aí andando e cuidando de si assim de primeira, né? A gente tem que ter paciência e cuidado para amadurecer.


Estou nesse momento de deixar para trás o “útero” das certezas e modelos que eu conhecia; ao mesmo tempo em que me abro para outras luzes, aprendendo novas falas novas linguagens, novos paradigmas, novas maneiras de me posicionar na vida, novas relações, novas funções…



Tenho tido a impressão de que muita gente passa pelo mesmo “perrengue”. Em uma vivência que participei recentemente, fizemos um gradiente para entender em que situação estava a turma e percebemos que a maioria está “vivendo o seu trabalho de parto” (que na aula foi chamado de “fase gama”). Percebo em muitas conversas que as pessoas estão vivendo suas desconstruções e construindo suas novas estruturas…


Como é dolorido, e também belo, ver e viver tudo isso!


Então vivamos e choremos! Por que não? Quem foi que disse que não pode? Quem foi que disse que temos que ser fortaleza em 100% das situações? Quem foi que disse que as emoções não são admiráveis e úteis?


Vamos chorar de dor, de emoção, de alegria, de desconforto e de esperanças… Vamos nos conectar e deixar transbordar o que vai dentro dos nossos corações! Que tal acolher as nossas fragilidades e os nossos medos? No meio do caminho, vamos criando coragem e estrutura para continuar nesse processos incrível de metamorfose da humanidade…



Em que fase você está?


Gestando você mesm@ e suas ideias?

Parindo-se?

Acolhendo sua criança interior e seu novo ser?

Ou já amadurecid@ e firme em seus caminhos?

Independentemente do seu momento, lembre-se de que estamos todos em rede; que o processo é seu, mas pode sempre ter algum apoio e / ou apoiar outras pessoas; e que o despertar de uma pessoa estimula e auxilia o despertar de tantas outras.


Vamos juntos parir esse mundo novo?

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